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Coleção Magistério Pé no Chão

Em março de 2016 foi lançada, pela primeira vez, a coleção Magistério Pé no Chão, constituída por 14 livros, assinados por 36 professores graduados pela UFC em 2013, que faziam parte do Magistério Indígena Tremembé Superior (MITS), compondo a primeira turma de indígenas docentes formados em uma universidade no Nordeste e uma das primeiras do Brasil.

“É um excelente material inédito sobre a cultura Tremembé, com temáticas que vão dos saberes tradicionais aos aspectos da cosmologia, folclore, patrimônio, culinária e medicina”

Babi Fonteles, coordenador do MITS e organizador da coleção.

A Coleção saiu com selo próprio “Magistério Pé no Chão”, criado no setor de arte da Imprensa. Vale ressaltar que os volumes têm impresso na contra capa, o selo de “venda proibida” por se tratar de trabalho custeado com recursos da União. A seguir, os arquivos de cada um dos livros!

01 – Primeiras Letras na Cultura Tremembé – (Livro do Professor)
02 – Primeiras Letras na Cultura Tremembé – (Livro do Aluno)
03 – Fauna e Flora Tremembé da Região da Mata
04 – História da Educação Diferenciada Tremembé
05 – O Lagamar na vida dos Tremembé de Varjota e Tapera
06 – Inventário de elementos da cultura Material do povo Tremembé
07 – Luta e Resistência dos Tremembé da Região da Mata pelo seu Território
08 – O Aldeamento Tremembé de Almofala: o espaço do Mangue Alto ontem e hoje
09 – Medicina Tradicional do povo Tremembé
10 Dicumê Tremembé de antes e de hoje
11 – Jogos matemáticos para as escolas indígenas Tremembé
12 – A pesca no mar de Almofala e no rio Aracatimirim: histórias dos pescadores Tremembé
13 – Os encantados e seus encantos: narrativas do Povo Tremembé de Almofala sobre os encantados
14 – História dos Tremembé: memórias dos próprios índios
Acesso à coleção completa aqui.

Inovação pedagógica, inclusão e interculturalidade na formação de professores em pedagogia e magistério indígena na Universidade Federal do Ceará

Referência:
FONTELES FILHO, J. M.; LUSTOSA, F. G. Inovação pedagógica, inclusão e interculturalidade na formação de professores em pedagogia e magistério indígena na Universidade Federal do Ceará. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 13, n. esp.2, p. 1281–1300, 2018. DOI: 10.21723/riaee.v13.nesp2.set2018.11644. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/11644. Acesso em: 21 jul. 2021.

RESUMO: Esse artigo evidencia a necessidade de refletir sobre inovação pedagógica em Instituições de Ensino Superior (IES), notadamente na formação de professores orientados a contextos de respeito à diversidadeinclusão e interculturalidade. Motivados por processos em curso na Universidade Federal do Ceará, tomaremos como recorte empírico de nossa reflexão duas significativas experiências: a formação de professores em Pedagogia e a formação de professores para o Magistério Indígena. Nessa empreitada, incursionamos sobre os conceitos implicados em nossa reflexão, apresentando dados e relatos das experiências em análise e problematizando algumas concepções sobre inovação pedagógica, que fundamentam as dimensões da cultura, da política, das práticas inclusivas e suas inter-relações para a efetivação de sociedades e instituições de ensino includentes.

Autonomia e Escola entre os Tremembé de Almofala-CE

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
FONTELES FILHO, J. M. Escola e autonomia entre os Tremembé de Almofala/CE. Educação em Debate (CESA/UFC), Fortaleza, v. 2, n.38, p. 170-177, 1999. Disponível em: http://www.periodicosfaced.ufc.br/index.php/educacaoemdebate/article/view/279 Acesso em 21 de julho de 2021

RESUMO: Este artigo analisa a problemática da autonomia do povo Tremembé, dentro de uma perspectiva histórica de suas relações com o Estado e a sociedade nacional que foram implantadas a partir da colonização, e do papel atual da escola indígena diferenciada no fortalecimento, na (re)elaboração e busca de relações mais autônomas para os Tremembé. Tendo a Análise Institucional como um dos referenciais teóricos de trabalho, o autor dá relevância ao seu itinerário de aproximação e construção da problemática, iniciando o texto com o relato e análise do que denomina etapas de aproximação natural, aproximação político-religiosa, aproximação estética, aproximação empírica e, finalmente, aproximação epistemológica.

História da Educação Indígena Diferenciada Tremembé – Livro

Referência Bibliográfica:
NASCIMENTO, Maria Gilsa do; JACINTO, Rita Félix; FONTELES, José Mendes (Org.). História da educação diferenciada Tremembé. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2014. (Coleção Magistério pé no chão).
Livro completo disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/20777/1/2014_liv_jmfontelesfilhohistoriadaeduca%C3%A7%C3%A3odiferenciadatremembe.pdf
Acesso em 20 de maio de 2021

APRESENTAÇÃO
Minha gente amiga
Nos preste muita atenção
Porque vamos falar agora
Da nossa escolarização
Pois a mesma foi criada
Com nossa organização!
As crianças e jovens indígenas
Não queriam estudar
Na escola convencional
Fora do nosso lugar
Com outras realidades
Que nada têm a aproveitar

Queridas crianças, vocês vão se encantar com os lindos cordéis e também fotos interessantes que tem dentro desse livro, falando todo processo de como iniciaram as nossas escolas diferenciadas indígenas tremembé. Este livro deve ser utilizado como material didático nas escolas do nosso aldeamento. Esperamos também que o mesmo contribua para a preservação da memória e da cultura do povo tremembé, no maior conhecimento e reconhecimento do nosso povo, fortalecendo a luta pela demarcação da terra e a conquista de uma melhor qualidade de vida, para fazer valer os direitos de todas as pessoas que nela vivem.


Nesse livro tem de tudo
Que você queira aprender
Da nossa cultura indígena
Quem quiser venha saber
Chegando aos Tremembé
Vai poder nos conhecer.
As autoras

INTRODUÇÃO
No aldeamento de Almofala, em 1991, deu-se início à Escola Alegria do Mar. Era uma escola toda coberta de palha, seu piso era de areia, e os alunos se sentavam em rolos de coqueiros. Nesta escola, os alunos se sentiam muito felizes, porque nela não tinha discriminação. Tinha uma professora que recebia apenas um agrado que os pais davam. Raimunda Marques do Nascimento, a professora, era filha do cacique. Além de ela ensinar a ler e escrever, também ensinava a cultura do povo tremembé: todos os dias, quando a aula terminava, ela, junto com os alunos, iam dançar o Torém na beira da praia.
No ano de 1997, deu-se início a outras escolas diferenciadas na aldeia da Passagem Rasa, Tapera, Mangue Alto, Saquinho e Varjota. Nessa época, havia as escolas convencionais, mas não era do agrado das lideranças, porque os alunos indígenas eram muitos discriminados pelos outros alunos, e até mesmos pelos professores dessas escolas. Então, as lideranças se juntaram para conversar sobre como criar uma escola diferenciada, que atendesse as necessidades dos nossos alunos indígenas, para ensinar a eles a nossa luta, cultura, crenças e tradições. Nessas escolas diferenciadas, todos os professores trabalham coletivamente ajudando uns aos outros, no dia a dia. Também tem a presença das lideranças, do cacique e do pajé, fazendo palestras sobre a luta, para que os alunos valorizem cada vez mais a nossa escola e etnia, para os mesmos não se envergonharem de dizer que são índios, em toda sociedade.
Em 2001, aconteceu o MIT, Curso de Magistério Tremembé em nível médio, o primeiro curso de formação de professores indígenas da região Nordeste e um dos pioneiros do país. O mesmo foi construído com a participação da comunidade tremembé e alguns parceiros, como a Universidade Federal do Ceará – UFC, e era realizado na própria aldeia, sendo do lado Mata e da Praia, uma semana a cada mês. Este curso veio para, cada vez mais, fortalecer o nosso conhecimento, enquanto professores indígenas tremembé, a respeito da nossa cultura e das histórias dos mais velhos, crenças e tradições, a serem repassadas para as futuras gerações.
Terminando o MIT, vimos que não era bom parar com os estudos. Então, no ano de 2006, decidimos dar continuidade aos estudos com o MITS, Curso de Magistério Indígena Tremembé de nível superior, seguindo o mesmo processo e com o mesmo objetivo de saber cada vez mais sobre o nosso povo tremembé de antes e de hoje. Este curso também foi pioneiro em toda a região Nordeste e um dos primeiros cursos de formação de professores indígenas de nível superior, em todo o Brasil.


Os cursos MIT e MITS
Foram cursos bem reais
Dentro da nossa aldeia
Sem haver outros iguais
Eles são bem conhecidos
E por nós muito queridos.

Para ter acesso ao livro completo ou fazer o download do arquivo pdf, entre no link: http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/20777/1/2014_liv_jmfontelesfilhohistoriadaeduca%C3%A7%C3%A3odiferenciadatremembe.pdf