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Juventude indígena decide nova comissão estadual

A atividade teve a realização da Adelco e da Comissão da Juventude Indígena do Ceará (COJICE), com o financiamento da União Europeia e o apoio do Governo do Estado do Ceará.

A juventude indígena no Ceará reuniu-se no último final de semana, 01 a 03, na Escola Indígena Tapeba, em Caucaia, na Aldeia Lagoa dos Tapebas, para debater questões de gênero, diversidade sexual, território, organização. Um momento importante do encontro foi a escolha da nova Comissão da Juventude Indígena, que ficará com a responsabilidade de organizar encontros e mobilizar todas as juventudes dos 14 povos indígenas em território cearense.

A comissão está formada com:

  1. Camila Potyguara;
  2. Climério Anacé;
  3. Edinardo Pitaguary;
  4. Ezequiel Tremembé;
  5. Magna Tabajara;
  6. Daniel Jenipapo-Kanindé;
  7. João Kennedy Tapeba;
  8. Bruno Kanindé;
  9. Raimundo Fagner Gavião.

A eleição se deu por processo de escolha, onde cada povo presente no encontro elegeu seu representante.

Estiveram presentes no evento alguns convidados. Representantes do movimento Sabiaguaba Nativa – Sabiaguaba Lixo Zero, da juventude do MST e do Movimento dos Atingidos por Barragens também estiveram presentes para as rodas de conversas juntos com David Barros, responsável pela Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude e Rui Aguiar, chefe do Escritório do UNICEF, em Fortaleza.

A programação começou na sexta, 01, com o lançamento da primeira exposição de fotografias realizadas, em sua grande maioria, por jovens indígenas. A I Exposição Fotográfica Nas Aldeias: o cotidiano sob o olhar da juventude indígena no Ceará recebeu mais de 100 fotografias de parceiros e jovens indígenas retratando o cotidiano dos povos. No sábado, 02,  pela manhã, a juventude e algumas lideranças adultas, realizaram uma caminhada no centro de Caucaia para dizer que existe índio no Ceará, sim e que os povos querem demarcação de suas terras já. Veja a programação completa do encontro aqui.

Veja fotos do evento aqui.

Pesquisador: Rafael de Paulo Oliveira

Fonte: Comunicação Adelco

12ª edição do ETA de Itapipoca debate democracia e agroecologia

Encontro trouxe o debate sobre a luta de povos e comunidades tradicionais da região | Foto: comunicação Cetra

Se juntos somos fortes, as agricultoras e agricultores do Ceará mostraram sua força e resistência durante o 12º Encontro Territorial de Agroecologia e Socioeconomia Solidária – ETA, realizado entre os dias 28 e 30 de novembro em Itapipoca/CE. Este ano, o Encontro teve como tema: Agroecologia e Democracia – Unindo Campo e Cidade, em consonância com o IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA) que acontece no ano de 2018 em Minas Gerais.

A 12ª edição do ETA reuniu aproximadamente 250 participantes, de diversos municípios cearenses, proporcionando debates e a troca de experiências.  Confira abaixo um pouco do que foi o ETA.

1º Dia

A programação do primeiro dia contou com dois painéis. Pela manhã foi realizado o primeiro que teve como tema Agroecologia e Democracia – Unindo Campo e Cidade, mediado pela Cristina Nascimento, representando a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e contou com a participação do professor Célio Coutinho (UECE); Flávio Barbosa, representando o MST; Joana Almeida, presidente da FETRAECE e; Miguel Braz, representando o Levante Popular.

Na ocasião, os/as participantes falaram sobre a importância da democracia para a criação de uma sociedade mais justa e igualitária. O Professor Célio Coutinho falou um pouco sobre a preocupação do avanço da direita e do conservadorismo. “Houve um avanço da direita e migração também do conservadorismo e até migração para a extrema direita. E continua “É preciso uma autoavaliação para que a gente também saia da crise. Estamos numa posição defensiva. Não conseguimos conter os ataques, mas não significa que não há enfrentamento. Estamos correndo pra salvar os direitos conquistados historicamente. Se não houver luta de classes não haverá agroecologia, porque estão em jogo os meios de produção e da terra é, portanto, importante colocar a agroecologia na perspectiva da luta de classes”, afirma.

Na parte da tarde o painel teve como tema Somos Todos Tremembé – Em Defesa dos Territórios Indígenas mediada por Suyane Fernandes, coordenadora do projeto Ação Tremembé (CETRA) e com a participação de Weibe Tapeba – Vereador de Caucaia; Erbene e Adriana, Lideranças Tremembé e Luciana Nóbrega, representando a Funai.

A composição da mesa lembrou não somente a luta do povo Tremembé, mas também a luta de outras etnias indígenas. No Ceará, por exemplo, existem quatorze etnias indígenas, no entanto, somente uma terra teve o processo de demarcação completamente finalizado. O povo Tremembé da Barra do Mundaú, que tem a sua área localizada a 55 km da sede do município de Itapipoca, vem lutando pelo processo completo de demarcação de sua terra há anos. Na luta pela terra, os Tremembé tem enfrentado a especulação imobiliária e populações que não se reconhecem como indígena, mas ainda ocupam a terra indígena.

O primeiro dia foi finalizado com a Noite da Ancestralidade com apresentações artísticas que transitavam pela cultura negra, indígena e regional. A primeira apresentação da noite foi realizada pela comunidade quilombola de Água Preta. Em seguida os Tremembé fizeram uma grande roda de Torém com o público. A próxima atração foi o grupo Tambores Afro Baião que trouxe em seu repertório samba-reggae, afoxé, maracatu, coco e pontos de Umbanda. A noite finalizou com o forró pé de serra.

2º Dia

Durante o segundo dia, os/as participantes tiveram a oportunidade de vivenciar diversas experiências com a realização de intercâmbios em várias comunidades. Os intercâmbios foram divididos em sete temas: Sem Educação Contextualizada não há Agroecologia; Sem Povos Tradicionais não há Agroecologia; Sem Feminismo não há Agroecologia; Sem juventudes não há Agroecologia; Sem Reforma Agrária não há Agroecologia; Sem Comunicação Popular não há Agroecologia; e Sem Segurança Alimentar não há Agroecologia.

Para a agricultora, Rita Maria de Oliveira, 63, moradora do distrito de Cemoaba, no município de Tururu, o momento do ETA que mais lhe marcou foi justamente a realização dos intercâmbios. “Ah meu filho, eu gostei de tudo, mas o que eu mais gostei foi dos intercâmbios. Eu participei do que falava sobre comunicação popular e conhecemos dois grupos artísticos que faziam a comunicação através da arte. Essa troca de experiência e muito rica, a gente aprende muito”, afirma. Dona Rita participa do ETA desde a sua quarta edição e já tem expectativa de como será o próximo. “Próximo ano quero que seja ainda mais animado que esse e quero ver mais gente participando também”, finaliza.

À tarde as/os participantes dos intercâmbios voltaram a se reunir na sede do CETREDI para participarem dos diálogos temáticos e falarem sobre as experiências da qual participaram. Ao final, a professora Gema Galgandi (UFC) fez uma síntese do Encontro e dos diálogos temáticos do dia. “Democracia é participação. A gente poder falar, escutar e tomar decisões. É inclusão, é garantir a inclusão de todas as pessoas nos processos. Respeitar a diversidade. Talvez tenha sido o ETA que mais respeitou a diversidade representada aqui pelos povos indígenas, povos dos terreiros, camponeses, juventudes e mulheres”.

A programação do dia foi encerrada com o espetáculo de dança Etnia: o baião das três raças, realizado pela Escola Livre Balé Baião de Itapipoca.

3º Dia

No último dia, as/os participantes realizaram um cortejo pelas ruas de Itapipoca em apoio à campanha Iandé Á’tã Joaju – Juntos Somos Fortes que tem o intuito de visibilizar a luta do povo Tremembé da Barra do Mundaú pela demarcação de seu território que, atualmente, encontra-se na fase de levantamento fundiário, tendo concluído no ano passado a demarcação física da terra.

Enquanto o cortejo ganhava as ruas de Itapipoca, o povo Tremembé convocava a população a abraçarem a sua luta. “Queremos nossa terra é demarcada / é demarcada / é demarcada / Estamos aqui, nós vamos lutar / Queremos nossa terra pra nós trabalhar” era uma das músicas de Torém entoadas por todos e todas. O cortejo foi finalizado na Praça da Matriz onde as/os participantes celebraram o 12ª ETA cantando os parabéns e repartindo um bolo em comemoração ao aniversário do evento.

Essa foi a segunda participação do agricultor, Sebastião David Filho, 32, morador de Pilões, no município de Miraíma. A sua primeira participação foi em 2015 e já sentiu a diferença de um para o outro. “Eu senti que nesse ETA as pessoas estavam com mais vontade de lutar por seus direito. Dá gosto de ver esse povo todo”, e continua. “Esse encontro é bom porque a gente vai se aproximando, conhecendo outras experiências e o público vai conhecendo a importância do nosso trabalho. Uma das coisas que eu mais gostei de ver foi o empenho dos jovens”, finaliza.

O último dia também contou com a realização da Feira Agroecológica e Solidária de Itapipoca com produtos sem agrotóxicos e saudáveis vindos direto da agricultura familiar.

Pesquisador: Pesquisador: Rafael de Paulo Oliveira

Fonte: http://www.asabrasil.org.br/noticias?artigo_id=10419

Nota Pública em apoio ao Povo Pitaguary; comunidade sofre ameaça de reintegração de posse

Nós, organizações indígenas, indigenistas e ambientais; ambientalistas e defensores de direitos humanos no Brasil declaramos nosso total e irrestrito apoio ao Povo Indígena Pitaguary e repudiamos a nova investida de uma empresa de mineração, que pretende explorar o maciço rochoso da Serra da Monguba, o que causará graves impactos a esta comunidade, bem como a todo o meio ambiente, incluindo a fauna, a flora e os recursos hídricos. A empresa afirma ter “comprado” essa área de outra empresa de mineração, a antiga pedreira Britaboa.

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JUVENTUDE INDÍGENA – Encontro reúne índios e índias de todo o Ceará neste final de semana, em Caucaia

O evento acontece durante os dias 01, 02 e 03 de dezembro, na Escola Indígena Tapeba, em Caucaia, na Aldeia Lagoa dos Tapebas.

Na programação tem exposição fotográfica com imagens feitas pelos próprios indígenas, ato público pelas ruas de Caucaia, conversas com instituições para cobrar políticas públicas e ações específicas para a juventude indígena, além de uma mesa para dialogar com outros movimentos sociais.

A atividade tem a realização da Adelco – Associação para Desenvolvimento Local Co-produzido e da Comissão da Juventude Indígena do Ceará (COJICE), com a parceria da União Europeia e o apoio do Governo do Estado do Ceará.

O evento faz parte do planejamento do Projeto Urucum – Fortalecendo a autonomia político-organizativa dos povos indígenas, financiado pela União Europeia e realizado pela Adelco e Esplar, junto às 14 etnias no Ceará, presentes em 19 municípios. O objetivo é contribuir para o fortalecimento das capacidades de gestão e de intervenção social e política das associações indígenas e suas três principais representações no Ceará: a COPICE (Coordenação das Organizações e Povos Indígenas do Ceará), a AMICE (Articulação das Mulheres Indígenas do Ceará) e a COJICE (Comissão de Juventude Indígena do Ceará).

Os Encontros da Juventude Indígena acontecerão em dois momentos este ano. O primeiro deles reuniu mais de 70 jovens das 14 etnias no estado, em setembro, na Aldeia Cajueiro, do Povo Tabajara, no município de Poranga-Ce. Desta vez, o encontro acontecerá na Escola Indígena Tapeba, em Caucaia, na Aldeia Lagoa dos Tapebas, nos dias 01, 02 e 03 de dezembro.

Programação

A programação inicia com a I Exposição Fotográfica Nas Aldeias: o cotidiano sob o olhar da juventude indígena no Ceará. A exposição é a primeira no estado que reúne fotos feitas pelos próprios jovens indígenas, totalizando 105 fotografias. Fotógrafos parceiros não indígenas também puderam enviar imagens, embora tenham tido uma porcentagem menor do total. As fotografias circularão em outros locais e, ao final do circuito, as imagens impressas serão doadas aos povos. A curadoria está dividida entre o fotógrafo, arte- educador e indigenista, Iago Barreto Soares, e a coordenação do projeto Urucum, da Adelco.

Sexta

15h – Credenciamento

19h – Lançamento da Exposição Fotográfica Nas Aldeias: o cotidiano sob o olhar da juventude indígena no Ceará

Sábado

8h – Ato político no centro de Caucaia com povos de todas as aldeias

14h – Mesa com instituições: Funai, Sesai, Coordenadoria de Juventude do Governo do Estado, Unicef

19h – Noite cultural

Domingo

8h – Mesa com os movimentos: Lgbt, MST, Quilombolas, Terreiro, Movimento dos Atingidos por Barragens

14h – Escolha da comissão estadual de juventude indígena

19h – Noite cultural

Serviço:

Encontros da Juventude Indígena no Ceará

Quando: 01, 02, 03 de dezembro

Onde: Escola Indígena Tapeba, em Caucaia, na Aldeia Lagoa dos Tapebas. Veja como chegar aqui.

 

Fonte: Comunicação Adelco